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por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

MEU DEUS

Se o Senhor é luz é fonte

Raio de sol a brilhar

Não seques a agua monte

Onde eu passo ao caminhar

 

Agua pura cristalina

Brota da fonte a jorrar

Sangue da terra devina

 Não a podes deixar secar

 

Meu Deus meu Deus

Eu te quero amar  ( bis)

Senhor dai-me forças

E ensina-me a rezar

 

Luz de esperança luz de fé

Eu pode ver um dia

De assustada que fiquei

Que quer de mim o Senhor perguntei

À virgem Maria

 

Reposta não encontrei

Mas minha fé aumentou 

Ainda assim receio

Falar o Jesus pregou

 

Meu Deus meu Deus

Eu te quero amar

Senhor dai-me forças

E ensina-me a rezar  

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publicado às 22:43


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

Beleza das Rosas

Beleza rara a das rosas

Que nos lembram

Momentos de felicidade e carinho

Como outras  flores

Que são verdadeiros amores

Que vão quebrando

Desfolhando

Perdendo

Morrendo

Pelo caminho

 

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publicado às 22:39


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

Poeta não sou ...

Sei que poeta não sou

Mas gostava de o ser,

Convidaram-me e aqui estou

E nisso tenho prazer

 

À quem diga que o poeta

È sonhador, sábio, intelectual

Ele é um grande profeta

Se nasceu em Portugal

Eleva a sua fantasia com fervor

E nisso dou-lhes razão

Mostra-nos a magia do amor

Que está no fundo do coração

 

 Quem não teve um monte

Onde estava a sua fonte…

E tudo mais a arder.

Desconhece a lagrima caída

E a alma vencida

Por tanto sofrer

 

Se dor que nos invade

Pode-se mostrar a saudade

Dos tempos dos nossos avós

Então vimos que esto foi uma armadilha

Por isso não há partilha

Como sempre estamos sós

 

Estreia de uma viagem

A muito prometida

Não traz nada na bagagem

Só a experiência da vida

 

O amor é uma albarda

Que se dá a quem se quer bem

E eu para não ser albardada

Não tenho amor a ninguém

 

Tristezas não pagam dividas

Não te quero ver chorar

Em vez de lágrimas caídas

 

Gosto de te ouvir cantar

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publicado às 22:39


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

Coisas vulgares

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

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publicado às 22:38


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

A MORTE CONDE LIPE

Matou se o conde Lipe

Numa noite de Natal

Foi dar agua aos seus cavalos

Sobre as rochas do mar

 

Os cavalos a beberem

E o cavaleiro a cantar

O Rei que estava a janela

Logo se pós a escutar

 

Acordai filha Silvana

 Para ouvir tão lindo cantar

Aquilo é anjos no céu

Ou é sereias do mar

 

Aquilo é Conde Lipe

Que comigo quer casar

Se ele contigo quer casar

E o mandarei matar

Mas se ele for a morrer

Eu não hei-de cá ficar

 

Já lá vai padecer

Antes do sol raiar

Ela se enterrou na pia

E ele lá em cima no altar

 

Ela se tornou numa pomba

E ele um pombo Real

As rosas caiam do céu

E eles pegavam a brincar

 

Juntavam bico com bico

Como quem se queria beijar

Juntavam asa com asa

Como quem se queria abraçar

A rainha como invejosa

Logo os mandou recortar

Ela deitava Sangue e leite

E ele um puro cristal

 

Lá pegaram uns vós

Para outras bandas do mar

Os olhos que os viram ir

Mas nunca  os viram voltar

Casamento que Deus faz

Não se podem desmanchar  

 

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publicado às 22:38


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

Quatro Linhas

Á tanto de fantasia

Como á de humildade

Encara com alegria

A dura realidade

 

Olhos negros cheios de luz

Como esses teus morena

O teu olhar me conduz

Que de mim estais com pena 

 

 29-1-2004

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publicado às 22:37


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

QUADRAS SOLTAS

Eu gostava de aprender

Mas é esta a minha sina

Trago comigo a esperança

O sonho vem de menina

 

O sonho não tem cor

Esse teu pensamento

Trazes nas azas do vento

A alma de sonhador

 

Diz que quem ama confia

Um provérbio popular

Encerra alguma magia

Pertence ao verbo amar   

 

Alegria e tristeza

Tudo por mim tem passado

Se muito me tenho rido

Muito mais tenho chorado

 

Libelinha voa

Nunca pares de voar

Leva contigo a esperança

De quem não para de sonhar

 

O sonhador é feliz

O trovador é cantor

È o sábio quem o diz

Ambos falam de paz e amor

 

Minha querida fonte santa

Que já estas tão velhinha

Mas és tão querida e tão bela

Que ainda és rainha

 

Os olhos que eu amava

Eram os teus sorrateiros

Aqueles que me enganavam

Esses são os verdadeiros

 

A oliveira da serra

Dá-lhe o vento abana a rama

È no sitio mais escuro

Onde eu faço a minha cama   

 

 

10,7,2012

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publicado às 22:36


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

PERGUNTO NA MULTIDÃO

De manhã ao  despertar

Com medo de estar só

Ergo a vos para cantar

Sinto na garganta um nó

A seguir lagrimas me brotam

As ideias se me furtam

E eu paro de pensar

 

Pergunto na multidão

Alivio para o meu pesar

Mas uma mágoa imunda

E o que vou encontrar

Em todo á escuridão

E uma saudade profunda

Evade o meu coração

 

Pois a vida é uma ilusão

Tormentos não sei porquê

O futuro ninguém provê

E á muita decepção

Arrastada por a dor

Eu confio em ti Senhor

Não me dês a solidão

 

  -07-2000

Saudades não sei do quê

Pergunto a Deus com carinho

Responde-me então baixinho

Não andes tão á mercê

Nunca percas as esperanças

Eu escutei comovido

Sorrisos de crianças

Era o que tinhas pedido

Não lhe negues o amor

E se Deus me acompanhar

Ide voltar a cantar     

 

Muito obrigado Senhor

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publicado às 22:32


por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

O passado não tem futuro...

É na esperança de transmitir algumas experiências do passado, que me leva a escrever, em especial, dos meus tempos de criança e de adolescente, alturas que marcam as nossas vidas.

 

Os meus Pais mudaram de uma casa da Cidade de Lagos para a serra de Monchique, nomeadamente Marmelete, para o sitio da Marioila a horas a pé daAldeia, mas estava próximo  dos meus avos paternos.

 

Nos anos cinquenta eram grandes as diferenças de percursos de vidas, enquanto na Cidade a maior parte do trabalho girava á volta das pescas, o mar as fabricas, era a sua maior fonte de sustento para as famílias, embora a Cidade fosse rodeada de grandes hortas que a

completavam, assim me lembro da Cidade de Lagos.

 

As serras e as aldeias eram completamente diferentes,  trabalhavam as terras e delas tiravam quase todo o seu sustento.

Atraí-nos a Cidade a escola, o cinema, as praias, as lojas, as diversões todo o seu potencial de uma Cidade.

Mas a serra também tinha muito para descobrir.

 

O sol era completamente diferente com mais luz, a lua quase não se vê na Cidade.

 

Aqui no campo ensinom-nos a respeitar, que a lua tem muita influencia  com o ser humano,  e danos noites de um luar que nos faz contemplala, outras o escura é tão abrangente onde o brilho das estrelas nos atrai, as nuvens quando se aproxima tempestade se lhe dá o sol são brancas  teem um brilho intenso vai mudando de tons de sinsa á medida que a tempestade se aproxima o vento separas dando-lhes um movimento de dança um verdadeiro expetaclo, na Cidade nada disto tem alguma beleza.

 

Ainda recordo a diferença do acordar, não havia esgotos a Cidade era acordada pelo barulho das carroças puxadas por os animais, penso que deve ser da primeira manhã que  acordei na serra a lembrança que está tão gravada na minha memória.

 

Os raios de sol brilhavam no verde das grandes sobreiras que estavam perto da casa dos meus avos mas tudo á volta era verdes completamente diferentes, o silencio era quebrado pelo cantar dos passarinhos a brisa da manhã trazia-nos o perfume dos arbustos e das flores das grandes encostas que rodeavam o monte, ouvia-se o correr das aguas nos ribeiros, os caminhos de terra muito macios que nos levavam ás casas mais prossimas, para a fonte onde havia um pequeno jardim, e davam acesso a toda a fazenda, são muitas as lembranças...

 

Como fomos ressebidos pelos nossos avos, chegamos já era noite, no dia seguinte algumas das pessoas vizinhas foram-nos visitar havia uma alegria no rosto como quem diz desta vez não é só uma visita vieram para ficar.

 

Apesar das dificuldades de adaptação que se estendia a toda a família.

 

O amor o carinho e respeito com que fomos recebidos por estas pessoas tão simples mas dotadas de nobres sentimentos, ajudaram-nos a ultrapassar as barreiras de uma tão brusca mudança de vida, em pouco tempo fomos nos integrando,  sentindo interesse na aprendizagem do trabalho que nos esperava, dos abitos e tradições.

As pequenas povoações viviam muito em conjunto para o bem e para mal, ajudando-se nas pequenas e nas grandes tarefas, o caso  das matanças de porco que decorriam normalmente de novembro a fevereiro, as trocas de ajudas davam sempre o seu ar de festa, num ambiente de amizade, onde não faltavam os bolos e bebidas, que davam origem ás cantigas ocasionais as desgarradas e se era próximo ao ano novo cantava-se as janeiras e os reis.

 

O carnaval era outra oportunidade de convívio e criatividade mas á meia noite de terça-feira acabava tudo, para dar lugar ao inicio da quaresma.

 

Tempo de silencio e de abstenção para as  pessoas com mais idade havia o jejum, o resto da família em especial a gentes mais nova fazia as refeições mas mais a base de tempero com azeite, as tradições da quaresma foram as que mais me marcaram.

A sexta-feira era o dia de jejum. E a comunidade juntava-se para rezar o terço os mistérios eram acompanhados de orações cantadas, orientado por uma ou duas pessoas mais velhas.

 

O respeito que envolvia este acto, levava a que só na quaresma se cantasse estas orações, talvez estas pessoas só cantassem uma vez por ano,

será esta a razão das orações cantadas se terem perdido com o tempo!?

 

Ao longo dos anos eu fui sentindo cada vês mais que tinha de escrever as minhas memórias.

 

Desta vivência dos abitos e tradições em especial as orações cantadas. Os livros ajudaram-me muito a dar sentido a minha vida de muito sedo aprendi a olhar para dentro de mim e perguntar-me quem sou euACHO um acto de humildade e coragem, falarmos das nossas origens mas sem isso não á identidade.

 

È verdade que quando perguntamos um livro elevamos o nosso pensamento aos grandes escritores e por vezes temos dificuldade em encontrar rumo na nossa leitura.

 

Esta é a minha maneira de pensar, terá a ver com a educação do nossotempo que tínhamos de aprender o que estava nos livros sem dar azas á nossa imaginação, ou será muito das minhas lembranças por ser corrigida de estar mal, e nunca a ver um elogio quando estava bem.

Isso levou-me a que na minha adolescência como gostava muito de escrever escrevia historias, poemas, e até fazia a musica para os cantar.

 

Mas como os escrevia dava-me a facilidade de os decorar, e para não me porem defeitos no que eu fazia.

Convencida que nunca me ia esquecer nem tinha o conhecimento

 

Da importância que hoje teria para mim ter estes trabalhos rasgava  tudo. hoje pouco me resta na memória do que escrevi na minha infância , contudo deixo aqui algumas dessas memórias de palavras de uma vida lançadas ao vento...

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publicado às 21:16



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