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por Helena Rosa - Cabelereira-Monchique, em 08.04.15

O passado não tem futuro...

É na esperança de transmitir algumas experiências do passado, que me leva a escrever, em especial, dos meus tempos de criança e de adolescente, alturas que marcam as nossas vidas.

 

Os meus Pais mudaram de uma casa da Cidade de Lagos para a serra de Monchique, nomeadamente Marmelete, para o sitio da Marioila a horas a pé daAldeia, mas estava próximo  dos meus avos paternos.

 

Nos anos cinquenta eram grandes as diferenças de percursos de vidas, enquanto na Cidade a maior parte do trabalho girava á volta das pescas, o mar as fabricas, era a sua maior fonte de sustento para as famílias, embora a Cidade fosse rodeada de grandes hortas que a

completavam, assim me lembro da Cidade de Lagos.

 

As serras e as aldeias eram completamente diferentes,  trabalhavam as terras e delas tiravam quase todo o seu sustento.

Atraí-nos a Cidade a escola, o cinema, as praias, as lojas, as diversões todo o seu potencial de uma Cidade.

Mas a serra também tinha muito para descobrir.

 

O sol era completamente diferente com mais luz, a lua quase não se vê na Cidade.

 

Aqui no campo ensinom-nos a respeitar, que a lua tem muita influencia  com o ser humano,  e danos noites de um luar que nos faz contemplala, outras o escura é tão abrangente onde o brilho das estrelas nos atrai, as nuvens quando se aproxima tempestade se lhe dá o sol são brancas  teem um brilho intenso vai mudando de tons de sinsa á medida que a tempestade se aproxima o vento separas dando-lhes um movimento de dança um verdadeiro expetaclo, na Cidade nada disto tem alguma beleza.

 

Ainda recordo a diferença do acordar, não havia esgotos a Cidade era acordada pelo barulho das carroças puxadas por os animais, penso que deve ser da primeira manhã que  acordei na serra a lembrança que está tão gravada na minha memória.

 

Os raios de sol brilhavam no verde das grandes sobreiras que estavam perto da casa dos meus avos mas tudo á volta era verdes completamente diferentes, o silencio era quebrado pelo cantar dos passarinhos a brisa da manhã trazia-nos o perfume dos arbustos e das flores das grandes encostas que rodeavam o monte, ouvia-se o correr das aguas nos ribeiros, os caminhos de terra muito macios que nos levavam ás casas mais prossimas, para a fonte onde havia um pequeno jardim, e davam acesso a toda a fazenda, são muitas as lembranças...

 

Como fomos ressebidos pelos nossos avos, chegamos já era noite, no dia seguinte algumas das pessoas vizinhas foram-nos visitar havia uma alegria no rosto como quem diz desta vez não é só uma visita vieram para ficar.

 

Apesar das dificuldades de adaptação que se estendia a toda a família.

 

O amor o carinho e respeito com que fomos recebidos por estas pessoas tão simples mas dotadas de nobres sentimentos, ajudaram-nos a ultrapassar as barreiras de uma tão brusca mudança de vida, em pouco tempo fomos nos integrando,  sentindo interesse na aprendizagem do trabalho que nos esperava, dos abitos e tradições.

As pequenas povoações viviam muito em conjunto para o bem e para mal, ajudando-se nas pequenas e nas grandes tarefas, o caso  das matanças de porco que decorriam normalmente de novembro a fevereiro, as trocas de ajudas davam sempre o seu ar de festa, num ambiente de amizade, onde não faltavam os bolos e bebidas, que davam origem ás cantigas ocasionais as desgarradas e se era próximo ao ano novo cantava-se as janeiras e os reis.

 

O carnaval era outra oportunidade de convívio e criatividade mas á meia noite de terça-feira acabava tudo, para dar lugar ao inicio da quaresma.

 

Tempo de silencio e de abstenção para as  pessoas com mais idade havia o jejum, o resto da família em especial a gentes mais nova fazia as refeições mas mais a base de tempero com azeite, as tradições da quaresma foram as que mais me marcaram.

A sexta-feira era o dia de jejum. E a comunidade juntava-se para rezar o terço os mistérios eram acompanhados de orações cantadas, orientado por uma ou duas pessoas mais velhas.

 

O respeito que envolvia este acto, levava a que só na quaresma se cantasse estas orações, talvez estas pessoas só cantassem uma vez por ano,

será esta a razão das orações cantadas se terem perdido com o tempo!?

 

Ao longo dos anos eu fui sentindo cada vês mais que tinha de escrever as minhas memórias.

 

Desta vivência dos abitos e tradições em especial as orações cantadas. Os livros ajudaram-me muito a dar sentido a minha vida de muito sedo aprendi a olhar para dentro de mim e perguntar-me quem sou euACHO um acto de humildade e coragem, falarmos das nossas origens mas sem isso não á identidade.

 

È verdade que quando perguntamos um livro elevamos o nosso pensamento aos grandes escritores e por vezes temos dificuldade em encontrar rumo na nossa leitura.

 

Esta é a minha maneira de pensar, terá a ver com a educação do nossotempo que tínhamos de aprender o que estava nos livros sem dar azas á nossa imaginação, ou será muito das minhas lembranças por ser corrigida de estar mal, e nunca a ver um elogio quando estava bem.

Isso levou-me a que na minha adolescência como gostava muito de escrever escrevia historias, poemas, e até fazia a musica para os cantar.

 

Mas como os escrevia dava-me a facilidade de os decorar, e para não me porem defeitos no que eu fazia.

Convencida que nunca me ia esquecer nem tinha o conhecimento

 

Da importância que hoje teria para mim ter estes trabalhos rasgava  tudo. hoje pouco me resta na memória do que escrevi na minha infância , contudo deixo aqui algumas dessas memórias de palavras de uma vida lançadas ao vento...

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publicado às 21:16




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